Entenda como funciona a nova etiquetagem de pneus

Entenda como funciona a nova etiquetagem de pneus

Todos os pneus vendidos no Brasil deverão informar ao comprador como se comportam na água, se ajudam a economizar combustível e quanto barulho fazem ao rodar (Foto: Felipe Gombossy)

Até abril de 2018, o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) obrigará todos os pneus vendidos no Brasil a informar ao comprador como se comportam na água, se ajudam a economizar combustível e quanto barulho fazem ao rodar. A classificação, que é parte integrante do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), é semelhante à que é usada para medir a eficiência energética de carros e eletrodomésticos. A aplicação da etiqueta será gradativa.

Em abril de 2015, a medida passou a valer para os novos modelos – projetos que estiverem estreando no mercado. Em outubro de 2016, entram os pneus que forem importados ou fabricados a partir dessa data. Por último, o prazo de abril de 2018 é a data final para as unidades que estão em estoque nas lojas e ainda não tenham a etiqueta. Na Europa, já existe essa classificação com os mesmos critérios. Aliás, a etiqueta é basicamente a mesma, justamente para facilitar uma eventual exportação dos modelos brasileiros para o mercado europeu.

Para chegar à nova classificação, os pneus serão testados pelo Inmetro e classificados com notas de A a G, sendo A o melhor índice. “É extremamente positivo para o consumidor ter esse sistema de etiquetagem, mas o que se viu na Europa foi que quase todos os bons pneus estão no mesmo nível de notas”, diz Flávio Santana, engenheiro de campo e gerente de produtos da Michelin. Na prática, isso significa que modelos de preço semelhante acabam recebendo a mesma avaliação, dificultando a escolha final. “Não existe uma sintonia fina”, diz. O engenheiro, porém, reconhece que, comparado à falta de informação atual, será de grande ajuda. Ele faz ainda um alerta: “O consumidor quer segurança, mas o que mais pesa na compra mesmo costuma ser a durabilidade. E ela não é medida nesse processo”. Segundo Renato Baroli, gerente sênior de marketing e vendas da Dunlop, a tendência é que a durabilidade dos novos modelos seja cada vez menor. “Isso se deve às exigências de desempenho das montadoras, que aumentam a cada dia.”

Tipos de pneu

O amadurecimento do mercado brasileiro levou não só a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) aos pneus, mas também ao surgimento de diferentes tipos de desempenho para uma mesma medida. “Nas linhas mais comuns, é normal encontrar até quatro arquiteturas distintas para o mesmo tamanho de pneu”, diz Santana. Isso para ficar só na Michelin.

A primeira diferença relevante a que os consumidores devem ficar atentos é a existência dos pneus verdes, que reduzem o consumo de combustível por ter mais sílica em sua composição, o que reduz seu atrito – os modelos comuns são chamados de pneus pretos. “Os ecológicos são um pouco mais caros que os tradicionais, mas ajudam a economizar ao longo de sua vida útil”, diz Vinícius Sá, gerente de pneus de passeio da Goodyear.

Também há versões com bandas de rodagem assimétricas (elas escoam melhor a água ou têm desempenho mais esportivo), os que prometem mais resistência (possuem carcaça que dissipa melhor a energia dos impactos), os produzidos com materiais renováveis (como milho, cana-de-açúcar e grama) e até modelos de uso misto menos ruidosos, feitos para rodar mais na cidade, mas ainda eficientes em terrenos difíceis. Isso sem contar os pneus de segunda linha, mais baratos. Alguns fabricantes, como Continental e Michelin, ainda aumentam a dificuldade de escolha ao oferecer a troca do pneu avariado em buracos, como uma extensão de garantia para mau uso.

Tanta variedade só complica a busca pelo pneu ideal. “Para fazer uma boa compra, o consumidor tem de ficar atento à aplicação que ele vai fazer do carro, à motorização e ao tipo de piso por onde ele vai rodar”, diz Sá. Além das medidas, é preciso respeitar também os índices de carga e de velocidade (leia mais na pág. 94). Para aqueles que acham isso difícil de entender, não custa recorrer aos consultores de vendas que as marcas costumam ter nas revendas autorizadas. “É importante que nossos técnicos consigam explicar e entender como o cliente utiliza o carro, para poderem indicar o pneu mais adequado a cada caso”, diz Santana.

A NOVA ETIQUETA

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Resistência ao rolamento: são sete níveis, sendo que a nota A indica os modelos que economizam mais combustível.

Aderência em piso molhado: também em sete níveis, com a nota A oferecendo a melhor aderência na água.

Nível de ruído externo: é expresso em decibéis, com divisão em três níveis. São eles: uma onda (até 69 dB), duas ondas (70 a 72 dB) e três ondas (acima de 72 dB).

Selo Conpet: mostra que o pneu atende a todas as normas do Programa Nacional da Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural.

MAS QUAL DURA MAIS?

Infelizmente, a nova etiqueta não vai tirar a maior dúvida do consumidor brasileiro sobre pneus: qual é sua durabilidade. Mas há um bom tempo essa informação já existe na maioria deles – e quase ninguém sabe. O dado está na inscrição Treadwear, que fica na lateral externa, dividindo espaço com a medida e marca do pneu (veja na pág. 94). Pode agradecer à National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), o órgão de trânsito americano. Ele exige que os modelos vendidos nos EUA sejam submetidos a testes de durabilidade, cujo resultado é expresso num número que varia de 60 a 700. Quanto maior o Treadwear, maior a vida útil do pneu. Ele não é obrigatório nos pneus feitos no Brasil, mas, como eles podem ser exportados para os EUA, muitos trazem a inscrição na lateral.

Fonte: Revista Quatro Rodas

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